Existem profissões que são historicamente e escrachadamente desvalorizadas. Uma delas é a de professor. O episódio mais recente de desmerecimento desse profissional foi o chilique que deu nos governantes quando receberam a notícias que o Ministério da Educação (Mec) aumentou o piso salarial dos professores em 22,2%, em relação a 2011. Com a decisão, os docentes que têm carga de trabalho semanal de 40 horas e lecionam no ensino médio não podem receber menos que R$ 1.451,00.
Esse aumento da remuneração mínima dos professores gerou um desespero aos dirigentes municipais e estaduais. Um dia após anunciada a decisão do Mec, cerca de 700 representantes municipais e 16 estaduais estiveram em Brasília para recorrer da medida. Eles alegam que esse aumento via custar aproximadamente R$ 7 bilhões e que não terão como pagar.
Diante desse impasse, tive uma simples solução: tenho a audácia de propor que diminuamos os salários dos vereadores, deputados estaduais e prefeitos, que ultrapassam facilmente a quantia de R$ 10 mil mensais. Se reduzirmos em 30% o valor que eles recebem no contracheque, facilmente os municípios e estados brasileiros terão capacidade financeira para pagar salários dignos aos professores.
Uma das maneiras de fazermos com que os salários desses dirigentes entrem em liquidação é tirando ou até diminuindo as mordomias e auxílios que eles têm. Há muitos auxílios: alimentação, hospedagem, locação de imóvel e veículo, assessores, serviços de comunicação (fixa e móvel), fora as verbas de gabinete e indenizatória. Só diminuindo algumas dessas mordomias. Tomando essa simples medida, encontraremos a solução para o pagamento de salários dignos aos profissionais da educação e atingiremos o piso estipulado pelo Mec.
Essa solução é simples para nós, pobres cidadãos que pagamos nossos impostos. Não para os vereadores, deputados e prefeitos que nos representam. Se essa (utópica) solução fosse posta em prática iria tocar na ferida e nos bolsos de todos aqueles que estão no poder, que estão ocupando cargos públicos. Na verdade, essa medida causaria estardalhaço não só no meio político, mas em toda “sociedade do bumbum rebolante da mulata”. Nós estamos (mal-) acostumados em aceitar que gastemos quase duas vezes mais com presidiários do que com estudantes universitários, com frases do tipo “Estudou tanto e não deu em nada!”, com ladrões, não só de toga, mas também com paletó e gravata. Enquanto formos mal-acostumados, continuaremos a ser mal-educados.
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Mais um. Essa é a expressão que se vê nos noticiários minutos após Carlos Lupi pedir demissão do Ministério do Trabalho. Ele é o sétimo ministro sair do cargo em menos de um ano de governo Dilma Rousseff, o sexto sob suspeita de envolvimento em algum grau com a corrupção. O “Mais um” mostra o quanto um ato ilícito se tornou comum na política brasileira. Mais um que, sem a força de uma bala de canhão, saiu do comando de um ministério porque não tinha a imagem ilibada para ocupá-lo.
Dentre as acusações que recaem sobre Lupi estão de suposto esquema de propina realizada por integrantes do ministério para a liberação de repasses para ONGs. Questionado pela Câmara dos Deputados Lupão negou que pegou uma carona num avião pago pelo empresário Adair Meira – que controla duas ONGs beneficiárias de convênios com o ministério – durante uma viagem oficial ao Maranhão, em dezembro de 2009, apesar de um vídeo mostrar ele saindo do avião. Outra acusação, feita pelo jornal Folha de S. Paulo, foi de que ele acumulava ilegalmente cargos públicos na Câmara dos Deputados em Brasília e na Câmara Municipal do Rio. Por fim, Lupi é foi denunciado por ter sido funcionário fantasma por seis anos – eu escrevi seis anos – da Câmara dos Deputados. O ex-ministro nega todas as acusações e alegou que elas representam “perseguição política e pessoal da mídia”.
Apesar de todas essas suspeitas, a nossa idolatrável presidente (a) Dima Rousseff não quis demiti-lo. Na verdade, quem mais resistiu não foi Lupi, mas sim Dilma. Ela resistiu à recomendação da Comissão de Ética da Presidência da República que pediu o afastamento, no último dia 30, do então ministro. Como se vê, a corrupção está tão banalizada e internalizada na nossa política que até a presidente (a) colocou a ética debaixo da sua saia.
Mas num súbito momento de sensatez, Lupi pediu demissão e num maior repente de lucidez a presidente (a) Dilma, que está em Caracas, aceitou a demissão. Quem assume interinamente o cargo será o secretário executivo da pasta Paulo Roberto dos Santos Pinto.
Mais um… Até quando teremos que noticiar que “Mais um ministro/político/homem ou mulher publico é acusado (a) de corrupção”? As apostas estão abertas.
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Num ato heroico e hercúleo o Senado aprovou a Lei de Acesso à Informação, que acaba com o sigilo eterno dos documentos do Estado. Esse sigilo era pertinente àqueles que, quando esquentaram as cadeiras da administração pública, cometeram atos, digamos, nada dignos. Por isso que esse sigilo era tão importante para criaturas como o nosso persistente Fernando Collor de Mello (PTB-AL).
O senador alagoano tentou de todas as formas impedir que essa lei fosse aprovada pela Casa. Brandou no plenário para ver se comovia os companheiros, comparou a Lei ao Wikileaks, o que para ele é uma “temeridade”, tentou até pedir a verificação do quorum (número indispensável de senadores para o funcionamento da sessão). Todo esse esforço por quê?
Porque certa época ele foi presidente desta República varonil. Porque certa época ele foi (e ainda é) acusado de cometer atos ilícitos – corrupção da linguagem da massa. Porque certa época milhares de pessoas foram às ruas para pedir seu afastamento (áureos tempo que não vivi). Porque ele foi o primeiro e, até agora, único presidente brasileiro a sofrer um impeachment.
Por isso que o paladino Collor fez o que fez, tentou o que tentou. O lendário José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado, chegou a apoiá-lo, mas, numa súbita tomada de sanidade, deu marcha ré. Collor afirmou que não queria protelar, mas sim aumentar o tempo para a discussão. Ah tá, há quase seis meses a presidente (a) Dilma Rousseff já queria ter sancionado essa decisão e vem ele, com cara de político galã da década de 90, dizer que queria aumentar o tempo para discussão.
Se Dilma sancionar a Lei, o tempo para documentos ultrassecretos permanecerem nessa situação, diminuirá de 30 para 25 anos. Não sendo permitida a prorrogação ad infinitum da situação de “secreto” dos documentos. A prorrogação só poderá ser autorizada no caso dos documentos ultrassecretos, mas as restrições não podem ser maiores que 50 anos.
Alguém tem que avisar a Collor o óbvio, vivemos numa República, que vem do latim res publica, ou seja, “a coisa do povo”, “coisa pública”. Então eu tenho e quero o direito de saber que acontece no meu país e na sua administração. Seja isso, ou não, a sua vontade Collor.
Orlando Silva – Escrevo este texto e recebo a informação que o Orlando Silva deixou o cargo de ministro dos esportes. Ele é suspeito de desviar verbas do programa federal Segundo Tempo. O próprio Ministério já reconheceu que havia irregularidades nos convênios com ONGs, mas que o ministro não teve participação nisso. Fato negado pelo policial militar João Dias, que afirma ter provas contra o EX-ministro.
Silva é o sexto a deixar o cargo em dez meses de governo Dilma Roussef. Diante disso, começo a acreditar no jornalista José Simão. Ele disse que Dilma é ouro em arremesso de ministros. Só rindo!
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Poxa seu Novais, que vergonha, hein! Um senhor octogenário fazendo umas coisas dessas? Será que, com essa idade toda, o senhor não aprendeu que não se pode pegar o que é dos outros, principalmente tomar o que é público como seu? Não é possível conviver com pessoas como o senhor na nossa política tão devastada pela corrupção e seus agentes. Muito me admira que vossa excelência, um advogado, pai de família, já pegando no porrete, faça ainda essas coisas.
Primeiro, vossa excelência acha de gastar o meu dinheiro com motel para fazer indecências. Pô Nonô, R$2.156, dinheiro público, com motel? Não dava para ser na sua casa? Era só dar dinheiro para sua honrada esposa gastar no shopping e promover estripulias sexuais na sua mansão. Mas não, o senhor e sua mania de pegar o que é alheio.
Depois, o ilustre político passa sete anos pagando sua governanta com o dinheiro público. Que vergonha! Doralice Bento de Sousa, de 49 anos, era registrada como sua secretária parlamentar na Câmara, nomeada pelo senhor, segundo informações da Folha de S.Paulo. E quando o senhor passou a ser ministro, ela foi contratada para trabalhar como recepcionista pela Visão Administração e Serviços, que recebe anualmente R$ 1,5 milhão do Turismo para fornecer mão de obra. Oh meu Deus, o que eu fiz para merecer um ministro desses?
E surge agora a informação que sua patroa (esposa) usa irregularmente um funcionário da Câmara dos Deputados como motorista particular. O servidor, Adão dos Santos Pereira, fica dia e noite à disposição de D. Maria Helena de Melo, uma funcionária pública aposentada e que não trabalha no Congresso. Oh! Não, não!
Se já não bastasse, em agosto deste ano, a Polícia Federal desmantelou um suposto esquema de desvio de verbas do orçamento da União por meio de emendas parlamentares. De acordo com o órgão, só para refrescar essa sua mente pervertida, há fraude no convênio de R$ 4,4 milhões firmado em 2009 entre o ministério do Turismo e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável, o Ibrasi, que deveria ter beneficiado 1.900 pessoas por meio de cursos de capacitação. Vários subordinados seus foram presos e o senhor dizendo, com a cara mais lavada que estava “firme e forte”.
Agora que o senhor felizmente deu “tchau” ao Ministério do Turismo, sabe quem nós vamos ter que aturar? Um discípulo, protegido de José Sarney, o lendário. Gastão Moreira, deputado federal, que já foi Secretário de Educação do Maranhão. Diante disso, seu velhinho safadinho, só tenho a lhe dizer que é muita cara de pau para um senhor com sua idade e sua trajetória na política. Como diria meu honrado pai “Vamos indo sinhô!”.
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Caminhando pelas redes sociais vi a fotografia acima e não tive como não ficar impressionado. Mas só que no mesmo instante me veio um sentimento de certeza, pois não podemos esconder que somos, sim, otários. Verdadeiros otários. Só uma nação de otários tem a oportunidade, a cada dois anos, de escolher quem vai tomar as decisões públicas e joga mais podridão no lamaçal que é a nossa política.
Somos otários porque o Brasil é uma das nações onde a corrupção está mais presente na política e ainda fazemos graça ao ver uma deputada dançando na após uma votação que salvou seu amigo corrupto.
Somos otários pois Mensalão, Mensalinho, Mensalão do DEM são escândalos presentes mensalmente na mídia.
Somos otários pois dólar na cueca é pouco, nós queremos ver é Euro, Yuan, Rúpias…
Somos otários porque vivemos numa República, onde o que é público é só de uma minoria.
Somos otários pois temos a luxuosa oportunidade para escolher nossos governantes mas ainda reelegemos Rorizes, Sarneys, Collor, Barbalho, Severino Cavalcante, ih, são muitos…
Somos otários porque trocamos nosso voto por um saco de cimento ou uma dentadura.
Somos otários pois gostamos de receber e dá uma propina.
Somos otários porque a imunidade parlamentar é utilizada como um escudo pelos corruptos. Mas se eles têm direito, fazer o quê?
Somos otários porque a ilegalidade é legal e legitimada.
Somos otários pois a nossa omissão motiva os bandidos de paletó e gravata com nível superior.
Somos otários pois ainda têm muitos Lalaus, Jorgina de Freitas, Daniel Dantas, Salvatores Cacciolas soltos por aí e nem sabemos.
Somos otários porque aceitamos os poderosos soltos, enquanto o pobre, “preto” e “com cara de marginal da periferia” é incriminado antes mesmo de cometerem o delito.
Somos otários pois achamos que falar mal, escrever num blog (sic), twittar feito um rebelde sem causa, resolve.
Somos otários pois nem sabemos o que é uma CPI. Nem sabemos para por que nascem e “morrem” sem quê nem para quê.
Somos otários porque acreditamos que políticos podem se regenerar.
Somos otários pois os termos “escândalo”, “roubou”, “desviou” estão presentes constantemente nas notícias e nem nos damos conta.
Somos otários pois nos acostumamos com uma saúde, educação, segurança públicas mais ou menos.
Somos otários porque queremos ser desenvolvidos, gostamos de ser emergente, mas a realidade subdesenvolvida não é uma coisa ruim.
Somos otários pois deputados, senadores, a presidente (a), o vice e os ministros de estado recebem R$ 26,7 mil de salário e não estamos nem aí, dando para tomar a cerveja do fim de semana está tudo bem.
Somos otários porque elegemos políticos, mas a nossa política é uma desgraça.
Somos otários! Somos, sim, Jaqueline Roriz, Sarney, Maluf, Barbalho, Gomes… otários.
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Trinta e cinco mil duzentos e noventa reais e cinco centavos. Esse foi um dos supersalários recebidos pelos servidores do Senado, em 2009. Um levantamento feito pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e divulgado hoje pelo site Congresso em Foco revelou que 464 servidores da Casa recebiam salários acima do permitido pela Constituição, que tem como teto o valor do salário dos ministros do Superior Tribunal Federal (STF), que na época era de R$ 24,5 mil. O Congresso em Foco disponibilizou um arquivo com os nomes, setores de lotação e valor dos salários e o quanto que excede o constitucional (clique aqui para ver a lista).
Um juiz da 9ª Vara Federal de Brasília proibiu o pagamento desses salários que atualmente ainda ultrapassam o dos ministros do STF, que é pouco mais de R$ 26,7 mil. Senado e Câmara, porém, entraram com recurso no Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Olindo Menezes, presidente do TRF da 1ª Região autorizou o Senado a pagar acima do teto. Logo em seguida, porém, a desembargadora Mônica Sifuentes proibiu a Câmara de fazer o mesmo.
Como esses supersalários ferem a Constituição, a decisão de liberar ou não o pagamento será dos ministros do STF. Mas, segundo uma apuração feita pelo jornal Agora São Paulo, que consultou cinco dos nove ministros do Supremo em atividade, todos disseram que os pagamentos recebidos por funcionários do Senado acima do teto são indevidos. Resta-nos esperar para ver se ainda vamos continuar pactuando com a legalidade inconstitucional brasileira.
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Carta a Vossa Excelência Dilma Rousseff, presidente (a) desta terra varonil
Boa Noite presidente ou presidenta, como a senhora desejar
Minha ilustre presidente (a) Dilma Rousseff a senhora decidiu que um dos grandes esforços do seu governo é acabar com a miséria que agonia o Brasil. O slogan do seu mandato é “País rico é país sem pobreza”, declarou que vai fazer de tudo para diminuir ou até exterminar esse mal e criou até o programa Brasil Sem Miséria (que estou rezando para não se igual ao Fome Zero). Portanto, Vossa Excelência arrumou o cenário. Mas, desculpe dizer-lhe, um país sem miséria não é compatível num país onde a corrupção impera.
Não se chateie com poderosos algemados, mas sim com a limpeza, pois têm muitos miseráveis aí que são livremente expostos algemados enquanto a corrupção está livre na política brasileira. Com isso, sim, a senhora deve se chatear e muito. A presidente (a) não pode se dar ao luxo de se preocupar com a justiça sendo feita contra os poderosos enquanto há famílias não sabendo o que vão comer.
Minha nobre presidente (a), a senhora deve saber disso, mas para quem não sabe o instituto Transparência Internacional colocou o Brasil em 75º no ranking da corrupção num estudo divulgado em 2010, feito com 180 nações. A senhora sabe o que isso representa em alguns serviços básicos para a população:
- O número de matriculados na rede pública do ensino fundamental saltaria de 34,5 milhões para 51 milhões de alunos. E a senhora sabe que educação – de qualidade – é fundamental.
- Nos hospitais públicos do SUS, a quantidade de leitos para internação, que hoje é de 367.397, poderia crescer 89%, que significariam 327.012 lugares a mais para os pacientes. Isso representaria menos pessoas morrendo por falta de leitos e atendimento médico.
- A perspectiva do PAC é atender 3.960.000 de famílias; sem a corrupção, outras 2.940.371 poderiam entrar nessa meta, ou seja, aumentaria 74,3%.
Não adianta “punir” vergonhosamente como fazemos, mais sim mostrar resultados efetivos e prevenir. Pagamos impostos – altos impostos – e desejamos ver o que são feitos com eles. Não suportamos ver a administração pública ser devastada por corruptos oportunistas que sabem que têm poucas chances de ser severamente punidos por seus atos ilícitos.
Portanto Dilma, não se importe que a justiça sendo feita contra os poderosos corruptos e malandros ou se eles estão sendo algemados e as fotos deles na prisão vazaram, preocupe-se em fiscalizar, acompanhar e cobrar. Os poderosos algemados já estão soltos prontos para assumir outros cargos públicos, mas ainda temos famílias passando fome, filhos perdendo pais na fila de hospitais, crianças no sinal vendendo balas e balas perdidas matando.
P.S.: O pessoal aqui está bem. Meus pais mandaram um beijo e pediu para a senhora se cuidar.
Saudações!
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Dignidade moral, honradez, nobreza, respeito de si mesmo e dos outros é o que significa a palavra “decoro”. Essa definição deve ser enviada para Alberto Cascais, advogado-geral do Senado e para o ilustre José Sarney (PMDB-AP), presidente da Casa, que mandou arquivar em maio deste ano a representação na qual o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal solicitava que fosse aplicada advertência e censura ao senador Roberto Requião (PMDB-PR). Em abril, Requião tomou o gravador de um jornalista da rádio Bandeirantes, apagou a entrevista e ainda ameaçou agredir o repórter por não gostar das perguntas que ouviu.
Cascais, no seu parecer, relatou que o sindicato não teve elementos suficientes para justificar e recomendou o arquivamento por não ser admissível a punição. Na avaliação do advogado-geral, a ação de Requião, ao tomar o gravador do repórter, não configurou quebra de decoro parlamentar ou ameaça de agressão física ao jornalista. A “suposta” ameaça foi devido um questionamento feito pelo repórter sobre a aposentadoria que Requião recebia no valor de R$ 24 mil por ter sido governador do Paraná.
“Já pensou em apanhar, rapaz? Já pensou em apanhar? Me dá isso aqui. Não vai desligar mais p… nenhuma. Vou ficar com isso aqui”, foi o que disse Requião ao repórter. Aí fica a questão nobre Cascais, se isso não é uma ameaça de agressão física é o quê? Se isso não é uma falta de respeito, não só com o jornalista, mas também com a população, impedida de receber informações, é o quê?
Para completar, o senador paraense, chamou na internet o jornalista de “engraçadinho”. Pois é senador, não era o jornalista que recebia uma aposentadoria de R$ 24 mil, enquanto tem pais de família honestos recebendo menos de um salário mínimo. Vossa excelência sabe o valor de um salário mínimo? Quando souber, vai entender o que é engraçado.
Talvez a impressa vigilante que seja engraçadinha por tentar esclarecer os cidadãos. Talvez os jornalistas que quebram o decoro por tentar desnudarem a nossa política. Mas como afirmou Sarney em relação ao caso: “Essas coisas, às vezes, acontecem”. A imprensa que tem que aprender a não quebrar o decoro dos nossos políticos e ter que aturar ameaças, chacotas e censuras das nossas autoridades, porque, às vezes, isso acontece.
Repórter Victor Boyadjian com seu gravador que foi pego pelo senador Roberto Requião
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